Apresentada no Salão dos Recusados de 1863, a tela Almoço na Relva de Édouard Manet desnorteou muitos juízos de sua época. Na imagem, enquanto os senhores conversam entre si e uma espécie de ninfa se banha atrás do grupo, uma mulher nua encara o espectador com um olhar questionador. Uma figura feminina que não está plácida, nem modesta, tampouco acuada e sustenta uma questão em seu olhar. Pela via do corpo, pelas inesperadas razões carnais e pela celebração dionisíaca de uma existência feliz, o indivíduo desvia de sua condição de rebanho. Ovelha desnorteada que pode então encontrar um novo norte, que é deleite e questão, superfície e mistério, beleza e estranhamento.

Protagonizado pela primeira-dama trans do Teatro Pernambucano, em sua estreia no cinema, após 40 anos de carreira, Amor by Night narra o dia a dia de uma locutora espacial em um futuro próximo onde o amor será frequência.

Uma misteriosa fotógrafa caminha pela noite paulistana à procura de mais uma vítima para seus clicks. Sensações e sentimentos se fundem em um encontro inusitado.

O curta mostra a apreensão de uma jovem (Ana Carolina de Mello) que, de tanto correr, não consegue sair do lugar, o que nela produz sentimentos de melancolia, tensão e, principalmente, paranoia. “A ansiedade e o medo envenenam o corpo e o espírito” (George Bernard Shaw).

Após um vírus dizimar, de forma contínua, quase todas as vidas humanas da face do planeta, Deni enfrenta completamente sozinha a perda da última pessoa que a acompanhava no fim da humanidade: sua noiva.

Um homem sem cabeça prepara com cuidado uma grande ceia em frente a uma câmera fotográfica. Para conseguir encenar o retrato tétrico que tem em mente, precisa conseguir a cabeça de Judas antes da chegada da lua cheia.

Em “Arapuca” acompanhamos o cotidiano de Marcos, um homem que volta a sua antiga casa para cuidar de seu pai, que está em estágio avançado de uma doença degenerativa que o priva de ver com clareza a realidade em sua volta. Marcos não consegue se comunicar com o pai e essa invisibilidade aos poucos está corrompendo-o, principalmente por impedi-lo de encontrar respostas para algo terrível que o incomoda há muito tempo.

Nesse poema audiovisual vemos a saga cósmica de uma família perturbadora pela ótica de seu filho caçula. O retrato épico de uma sociedade que percebeu tarde demais o seu estágio de decadência. Um vídeo hediondo que só poderia ter nascido nos trópicos.

Juliana é surpreendida por seu namorado com um belo café da manhã na cama. Tudo seria perfeito, se ela não estivesse presa, mais uma vez, no mesmo dia. Em sua busca por respostas, Juliana descobre algo mais assustador do que o próprio loop temporal.

Edmundo vive isolado no meio da natureza, caseiro de um sítio em São Paulo. A presença da sua mãe assombra-o com poesias e memórias do sertão onde nasceu. A linha tênue entre a lembrança e o delírio leva Edmundo a um mergulho no fantástico. Ao se deparar com a morte, o caseiro-poeta busca dar significado à vida.

a dramática aventura de Bia (Cíntia Lima), uma sobrevivente em um mundo totalmente destruído, depois do surto que dizimou cerca de 80% da população. Lutando por sua vida em meio à Caatinga, a protagonista encontra mais do que destruição pelo caminho. Ela se vê diante dos dilemas e desafios de uma realidade dominada por seres humanos que atrofiaram e agem como animais famintos.

No ano de 2068, corporações tecnológicas oferecem ao mundo a “Eternização”, procedimento que garante o armazenamento das memórias de uma pessoa em vias de morrer para sua futura implementação em corpos sintéticos, uma mulher de 70 anos e sua mãe centenária entram em um dilema sobre o sentido da vida.

O que é a identidade, senão uma história? Esta é a minha auto-história, uma viagem poética pela minha imaginação. O que as perguntas sobre meu nome próprio e minha condição de mulher têm a me dizer? A resposta está na forma de uma criatura.

Ava Kuña, Aty Kuña; mulher indígena, mulher política é uma abordagem poética da resiliência política das mulheres indígenas brasileiras. Retrato da Kuñangue Aty Guasu, a Grande Assembleia de Mulheres Guarani Kaiowá, o curta-documental mescla as impressões, sentimentos e explicações de uma mulher branca e de uma mulher originária acerca desse encontro.

Por questões ontológicas dos seres (no caso Dinossauros), reflexões sobre a inércia e o voluntariado, além de uma pitada de poética contemporânea são necessárias nas vidas desses pobres mortais.

Este filme é a nova incursão de Ivan Cardoso no cinema pop e experimental, homenageando antigas exibições no Cine AC e reunindo filmes restaurados e obras inéditas.

Com a chegada dos seus 40 anos, alguma coisa desperta e se transforma em Ana. Embora, por vezes, sejamos tomados por nosso monstro interior, o dela não é apenas emocional, transborda hormônios e disputa com tudo que ela carrega. Ela resistirá, porém não há como sufocar o incontrolável. Transcender não é apenas uma opção, é uma necessidade.

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Mergulho no inconsciente selvagem feminino e reencontro com o conhecimento ancestral que sangra histórias jamais esquecidas.

A cidade de Goiânia, no Centro-Oeste brasileiro, foi palco de um terrível desastre radiológico na década de 1980. No aniversário de 30 anos da tragédia, dois jovens inconsequentes visitam o local do acidente e acabam despertando a ira do Césio 137.

Após ter o carro avariado no meio de uma viagem, uma garota se depara com três pessoas que, apesar de desconhecidas, podem conhecê-la melhor do que ela imagina. Embora as três tenham personalidades distintas, todas elas têm um aviso em comum: a garota precisa consertar o carro e sair dali antes que o dia termine, ou sua vida estará em risco.

Benzô revela a história de Sérgio, um Pajé Guarani, e Dona Florinda, uma caiçara, que utilizam sonhos, plantas e rezas como formas ancestrais de cura. Com ilustrações em xilogravura, o filme entrelaça documentário e animações para explorar tradições culturais e a benzedura como prática de cura enraizada em nossa história.

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